Cirurgia minimamente invasiva da coluna é o conjunto de técnicas que alcançam a vértebra por incisões pequenas, afastando a musculatura em vez de cortá-la, com auxílio de radioscopia, navegação ou robô. Ela permite fazer a mesma artrodese ou descompressão da cirurgia aberta com menos sangramento, menos dor e internação mais curta.

O Dr. Guilherme Gontijo treinou essas técnicas em centros de referência na Alemanha e nos Estados Unidos, incluindo o laboratório de OLIF da Medtronic no Texas em 2026, e as realiza em Belo Horizonte.
As técnicas e para que servem
MIS-TLIF
Artrodese por trás, através de tubos, com retirada do disco, colocação de espaçador e parafusos percutâneos. Indicada em espondilolistese, instabilidade e estenose com necessidade de fixação em um ou dois níveis.
OLIF e LLIF
Acesso pelo flanco, entre os músculos do abdome, sem tocar a musculatura das costas. Permite espaçadores grandes, que restauram a altura do disco e corrigem o alinhamento. Boa opção em escoliose degenerativa e em níveis acima de L5-S1.
ALIF
Acesso pela frente, pelo abdome, para o nível L5-S1, com correção da lordose e espaçador amplo.
Parafusos percutâneos
Fixação por pequenas incisões, guiada por imagem. Em osso osteoporótico, parafusos cimentados aumentam a ancoragem.
Descompressão por tubos
Retirada de osso e ligamento que apertam o canal, por um tubo de 18 a 22 milímetros, preservando a estrutura posterior.
Navegação e robótica
A navegação cirúrgica usa imagens tridimensionais obtidas na própria sala para mostrar, em tempo real, a posição de cada instrumento. Isso aumenta a precisão dos parafusos e reduz a exposição à radiação. Os sistemas robóticos seguem a mesma lógica, planejando a trajetória antes do gesto. São ferramentas; o julgamento sobre quando e o que fixar continua sendo médico.
Quem se beneficia
- Espondilolistese com instabilidade ou compressão nervosa
- Estenose do canal lombar com necessidade de fixação
- Escoliose degenerativa do adulto com dor e desequilíbrio
- Doença discal com colapso do espaço e dor mecânica refratária
- Fraturas que precisam de estabilização, inclusive em osso osteoporótico
O que muda para o paciente
Menos sangue perdido, menor necessidade de transfusão, menos dor nos primeiros dias, marcha no dia seguinte e alta em um a três dias na maior parte dos casos. A consolidação óssea leva o mesmo tempo da cirurgia aberta, alguns meses, e a reabilitação respeita esse prazo. A cicatriz menor é o que menos importa; a musculatura preservada é o que sustenta o resultado a longo prazo.
Quando a cirurgia aberta ainda é a escolha
Deformidades extensas que exigem correção em muitos níveis, revisões complexas e algumas infecções e tumores ainda são mais bem tratados por via aberta. Dominar as duas abordagens é o que permite indicar cada uma no caso certo.
Perguntas frequentes sobre cirurgia minimamente invasiva
Cirurgia minimamente invasiva é menos segura que a aberta?
Não. Com indicação correta e cirurgião treinado, ela alcança o mesmo objetivo com menor agressão aos tecidos. A navegação por imagem ainda aumenta a precisão da fixação.
Qual a diferença entre OLIF e TLIF?
O TLIF acessa o disco por trás, pelo lado, através de tubos; o OLIF entra pelo flanco e não toca a musculatura posterior. O OLIF permite espaçadores maiores e melhor correção de alinhamento; o TLIF descomprime o canal diretamente. A escolha depende do nível e do problema.
Vou ficar com parafusos para sempre?
Sim. Os implantes mantêm as vértebras estáveis enquanto o osso consolida e depois permanecem sem incomodar. Retirada só é considerada em situações específicas.
Quando volto a trabalhar?
Trabalho sentado em duas a quatro semanas; atividade física pesada após a consolidação, acompanhada por imagem, em geral a partir do terceiro mês.
Fontes e leitura complementar
- Minimally Invasive Spine Surgery, OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- Spinal Fusion, OrthoInfo, Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (em inglês)
- AO Spine, fundação internacional de ensino em cirurgia da coluna
